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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Regimento Imortal

Paulo Werneck

No dia 9 de maio comemoramos os 73 anos da vitória dos Aliados contra as forças nazi-fascistas do Eixo com a primeira edição brasileira da marcha do Regimento Imortal.

A guerra terminou, eu diria, no dia 2 de maio de 1945, dia em que Berlim caiu frente às forças soviéticas. Hitler já havia cometido suicídio. Mas a rendição formal só veio a ocorrer no dia 8 de maio, em Karlshorst, quando o Alto Comando Alemão assinou um documento de rendição incondicional na presença de representantes da União Soviética, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos.

Apesar dos Aliados estarem representados por quatro países, a então União Soviética era a principal responsável pela derrota nazista, tendo derrotado mais de 500 divisões inimigas, enquanto todos os demais aliados derrotaram 176. Também destruíram 75% da força aérea nazista.

O papel do Brasil foi relativamente pequeno, se pensarmos nos números de combatentes e civis envolvidos, mas, por outro lado, os nossos pracinhas e aviadores mostraram muita combatividade e garra. Fomos o único país sul-americano a participar e demos um exemplo ao não separarmos nossos soldados como brancos, pretos, amarelos ou azuis. Eram todos brasileiros, lutando lado a lado pela liberdade e pela democracia.

Para homenagear todos aqueles que lutaram contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, foi criada a Marcha do Regimento Imortal, em que descendentes (ou não) daqueles heróis marcham com as fotografias deles.

Essa marcha finalmente chegou ao Brasil pelas mãos a AVFEB, a Casa da FEB, com o apoio inestimável dos diplomatas da Federação Russa.

A cerimônia começou no plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, sob a presidência do vereador Brizola e com a presença, entre outras autoridades, do embaixador da Federação da Rússia, senhor Sergey P. Apokov.


Foto: Paulo Werneck

Após a cerimônia, os presentes se dirigiram para as escadarias da Câmara, onde posaram para uma foto, já empunhando as fotos dos heróis da Segunda Guerra. Entre os homenageados estavam irmanados brasileiros e russos, homens e mulheres. Não podemos esquecer os esforços não apenas das enfermeiras, mas também das guerrilheiras e mesmo das mulheres militares.


Fonte: Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro

Já em marcha, o Regimento Imortal foi liderado pelas bandeiras Brasileira, Russa e a do próprio regimento, vermelha com um círculo branco, no qual podemos ver São Jorge vencendo o dragão.


Fonte: Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro


Fonte: Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro


Fonte: Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro

Ao final os participantes foram amavelmente recebidos para um singelo coquetel de confraternização na Casa da FEB, sede da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira.

Esperamos que esse evento se repita anualmente, com quantidade crescente de participantes, numa necessária e merecida homenagem aos nossos homens e mulheres que lutaram pela liberdade que hoje desfrutamos, os pracinhas que enfrentaram temperaturas gélidas em montanhas inóspitas; os aviadores que cumpriram missão após missão, ignorando o esgotamento físico; os seringueiros, que adentraram a selva amazônica em busca do precioso látex para equipar as forças aliadas, poucos dela retornando com vida; os homens do mar e civis que patrulharam ou pereceram na águas do Atlântico.

Que sua memória viva para sempre!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Recordando os Heróis de Monte Castello

Israel Blajberg


Soldados da FEB no segundo assalto da batalha de Monte Castelo
Fonte: Wikipedia

Já se passaram 73 anos. Numa tarde cinzenta e fria, os pracinhas brasileiros, acostumados com o sol dos trópicos, finalmente conseguiram em meio às tempestades de neve tomar a fortaleza alemã do Monte Castello. Foi a mais significativa batalha travada pela FEB – Força Expedicionária Brasileira.

No centro da Itália, ao longo dos Apeninos, os alemães estabeleceram uma linha de fortificações nos cumes das montanhas, designada como Linha Gótica. Era preciso rompê-la, para que os Aliados pudessem avançar para o Norte, chegando à Áustria e à Alemanha.

O inimigo tinha a vantagem da altura, situação clássica descrita nos manuais militares. Mas os pracinhas não leram os manuais e persistiram até a vitória final na quinta tentativa. O generoso sangue brasileiro tingiu as encostas do Monte Castello, a um preço altíssimo: mais de 100 vidas preciosas.

Mais que um feito militar, foi uma vitória da cidadania brasileira, de uma tropa composta quase que totalmente por soldados-cidadãos, convocados após a cruel agressão alemã de 1942. Utilizando a arma submarina, os nazistas afundaram mais de 30 navios brasileiros, com a perda de 1 milhar de vidas.

Incorporando-se às Nações Aliadas, o Brasil foi o único pais latino-americano a participar da Segunda Guerra Mundial, enviando para o Teatro de Operações mais de 25 mil homens, 70 enfermeiras, e um Grupo de Aviação de Caça, com a Marinha atuando na defesa do litoral.

A memória de heroísmo da FEB na Itália é uma das glórias da Cidadania Brasileira. O capital simbólico da luta dos pracinhas pela liberdade e democracia mostra-se cada vez mais atual, haja vista as ideologias equivocadas que ainda subsistem. Mudaram apenas as bandeiras de ódio do passado, pois o mesmo terror se manifesta em nossos dias, em todos os continentes.

A luta dos pracinhas no Monte Castello se renova, com o Mundo civilizado enfrentando agora o neo-nazismo, a intolerância, o racismo, os negacionistas.

Ao recordar a conquista do Monte Castello, prestamos singela homenagem aos Pracinhas da FEB, e a todos que ajudaram a liquidar o nazismo, deixando suas vidas em uma terra distante, aos mártires civis inocentes sacrificados na Europa ocupada, aos partisans que pereceram em terras geladas e nas prisões da Gestapo, aos que desapareceram nos mares sem jamais ter um túmulo.